TERAPEUTAS JULIANA GOMES ARTE
A arte sempre fez parte da vida humana. Está presente em todas as culturas, como identidade própria e como linguagem para comunicar sentimentos de prazer, protesto, amor, tristeza, medo, raiva, alegria e outros. Como registro de um momento, como recurso às necessidades práticas de subsistência, entre outros aspectos que se pode apontar. Seja através da poesia, pintura, cerâmica, música e dança.
No desenvolvimento da vida, o sujeito, para compreender sua história, recorre ao passado em busca de respostas ao seu presente. Principalmente no processo de individuação, ele através de uma volta ao tempo, faz uma análise de tudo o que elegeu para sua vida, por vontade própria ou em função dos outros (família, escola, amigos...). Da mesma forma, repassa os aspectos de sua personalidade que foram herdados e os que ele construiu. Este processo se repete com relação ao contexto social. Nossa herança cultural deixada por nossos ancestrais sem margem de dúvidas, tem aspectos positivos e negativos. No ato de evoluir-se existem conquistas e perdas. Conquistamos grandes avanços tecnológicos, mas perdemos alguns aspectos de nossa vida que eram naturais e espontâneos. Entre eles, a Arte que era uma atividade desenvolvida naturalmente entre os povos e passada de pai para filho.
A arte é um fenômeno cultural de caráter universal que afeta a todas as pessoas, grupos sociais e culturas. Possuímos uma identidade cultural repleta de significações que constitui um universo físico e simbólico. O símbolo é uma chave da existência e da natureza humana. O espaço simbólico constitui o estado de maturidade de nossa capacidade intelectual. Segundo Araño a principal característica do humano não é somente a sua natureza metafísica ou física. Ela se completa com sua obra, suas produções expressivas. Todas as produções humanas e especialmente as artísticas, surgem em particulares condições históricas e sociais. Com Cassirer podemos afirmar que a arte, a linguagem, o mito e a religião como produtos humanos, não são criações isoladas ou fortuitas, acham-se entrelaçadas por um vínculo comum.
Quando pensa-se em um trabalho de Arte Terapia, preocupa-se em propor um contato com a arte e a reflexão do próprio ser em um determinado contexto, utilizando técnicas artísticas como linguagem. Evidenciar a arte como um fator facilitador no processo de desenvolvimento humano, pode levar o indivíduo a alcançar um crescimento pessoal e intelectual com uma melhor qualidade de vida. Sendo assim acredita-se que ser uma arteterapeuta é acordar o indivíduo para o criativo. Como? Promovendo o encontro do ser com a sua condição de humano, isto é, o seu reconhecimento de unicidade na diversidade – ação de crescimento. Restaurando em si e no outro, a vigilante viagem cotidiana a seu universo interior – ação transformadora. Ambas, fundadas na observação, escuta e compreensão cuidadosa da investigação de si próprio.
Analogamente podemos usar uma metáfora. Assim como um tijolo se transforma numa catedral, num momento em algo grandioso, o universo interior de cada um forma a arquitetura social. Sob essa ótica, a mudança do todo pode ser implicada pela alteração de cada tijolo, pela alquimia interna de cada um de nós, metamorfose que se concretiza no percurso da trilha criativa. Uma trilha que caiba a imperfeição de algo em transformação, em movimento, em crescimento; a imperfeição das coisas inacabadas, tal como o homem é inacabado.
Contudo é clara e notória a importância da arte dentro do processo de desenvolvimento total do indivíduo: cultural, psíquico, intelectual, emocional, social, perceptivo, físico, estético e criador, uma vez que a arte tem por si propriedades de transformação. Quanto mais ousado for o gesto de experimentação, de pesquisa, do rompimento com a mesmice que se repete na monotonia da certeza, mais a arte nos auxiliará na tarefa de descobrirmos a nós mesmos, de descobrir possibilidades antes impensadas, tornando-a tão necessária, na construção da identidade enquanto povo singular. É pensando na necessidade de resgatar o lugar dessas possibilidades que se vai a fundo nesta perspectiva de atuar através da arte. Viver a arte e assim transformar.
Inês Marçal – Projeto Terra/ MG
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